Banco Master: rombo de R$41 bi e conexões com o poder
- 01 abril 2026
Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central do Brasil decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, instituição fundada pelo empresário Daniel Vorcaro. A medida encerrou a trajetória de um banco que, em menos de uma década, cresceu de forma acelerada e chamou atenção do mercado financeiro — mas deixou para trás um rombo estimado em R$41 bilhões e um rastro de investigações que chegam ao coração do poder político nacional.
O Banco Master foi adquirido por Vorcaro em 2016, quando ainda se chamava Banco Máxima. A estratégia de crescimento adotada desde o início foi baseada na captação agressiva de recursos por meio de CDBs (Certificados de Depósito Bancário) com rendimentos muito acima do mercado — chegando a 130%, 140% e até 150% do CDI, enquanto grandes bancos pagavam próximo à taxa básica de juros.
De acordo com apuração da Brasil Paralelo, a promessa de retornos elevados atraiu cerca de 1,6 milhão de investidores. Muitos se sentiam protegidos pela cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Crédito), que assegura depósitos de até R$250 mil por pessoa — o que reduzia a percepção de risco e mascarava a fragilidade estrutural da instituição.
Para sustentar os rendimentos prometidos, segundo as investigações apontadas pela CNN Brasil, o banco aplicava os recursos dos clientes em negócios de baixa liquidez e operava um modelo descrito como “esquema circular”: fundos ligados ao próprio grupo compravam e vendiam ativos entre si, inflando artificialmente o patrimônio declarado da instituição.
Paralelamente ao esquema de CDBs, o Banco Master passou a ser investigado por fraudes em empréstimos consignados vinculados ao INSS. Segundo levantamento da Brasil Paralelo, as apurações identificaram cerca de 250 mil contratos irregulares envolvendo aposentados — operações realizadas sem biometria, sem assinatura válida e sem autorização comprovada dos beneficiários, mas com descontos aplicados diretamente na folha de pagamento.
O escândalo motivou a criação de uma CPMI para investigar o caso, e Daniel Vorcaro foi convocado para prestar depoimento.
Com dificuldades crescentes para honrar compromissos, o banco tentou uma operação de venda ao BRB (Banco de Brasília). No centro do negócio estava a empresa Tirreno — criada pouco antes, com R$30 milhões declarados e sem histórico no mercado. Conforme apurado pela Brasil Paralelo, a empresa teria repassado ao Banco Master cerca de R$6,7 bilhões em carteiras de crédito, utilizadas como garantia para a emissão de títulos comprados pelo BRB.
Quando auditores solicitaram a documentação dos devedores, os registros não foram apresentados. A Tirreno afirmou ter adquirido os créditos da financeira Cartos, que negou a transação. As investigações classificaram os ativos como inexistentes. A Polícia Federal abriu o inquérito da Operação Compliance Zero para apurar as irregularidades.
Um dos aspectos mais graves do caso envolve fundos de previdência de estados e municípios que investiram recursos de servidores e aposentados no Banco Master. Segundo a CNN Brasil, o estado do Rio de Janeiro aplicou quase R$1 bilhão em letras financeiras da instituição. O Amapá chegou a R$400 milhões. Quatro municípios paulistas também figuram nas investigações.
As apurações buscam entender se os gestores desses fundos tinham ciência dos riscos ao realizar os investimentos.
O caso ganhou dimensão política ao revelar a proximidade de Vorcaro com autoridades dos três poderes. Entre os pontos investigados:
Nenhum desses nomes possui acusação formal até o momento. Vorcaro nega todas as irregularidades e afirma não ter contado com proteção política.
Daniel Vorcaro foi preso ao tentar deixar o país pelo Aeroporto de Guarulhos. Após 11 dias, obteve o direito de cumprir prisão domiciliar por decisão do TRF-1. Em janeiro de 2026, o Will Bank — braço digital do grupo — também foi liquidado pelo Banco Central, deixando cerca de 9 milhões de clientes temporariamente sem acesso a contas e cartões.
O caso segue em investigação e é considerado por analistas como um dos maiores escândalos bancários da história recente do Brasil.
Acompanhe a cobertura completa da CNN Brasil clicando aqui, e leia o resumo completo do Brasil Paralelo clicando aqui.
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